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Ficamos sem transmissão do Discord, e agora?

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maot

Capa de Ficamos sem transmissão do Discord, e agora?

Na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, a primeira-dama do Brasil, Rosângela Lula da Silva, popularmente conhecida como Janja, defendeu o bloqueio imediato da plataforma de comunicação Discord no território brasileiro e cobrou providências do ministro da Justiça e do advogado-geral da União.

A declaração ocorreu após a repercussão do caso de uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida à automutilação e ao suicídio durante uma transmissão ao vivo na plataforma. Posteriormente, o Discord afirmou que a morte ocorreu após uma campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas.

“A gente precisa retirar imediatamente o Discord do ar.”

  • Janja

Alguns dias depois, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável pela aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados e pela fiscalização de obrigações previstas no ECA Digital, determinou que o Discord suspendesse a funcionalidade de transmissões ao vivo, comercialmente chamada de Go Live, além de outros recursos equivalentes de vídeo.

A medida preventiva foi motivada por indícios de descumprimento das obrigações estabelecidas pelo ECA Digital, especialmente no que diz respeito à prevenção e à mitigação de riscos envolvendo crianças e adolescentes.

As soluções começam a surgir...


Não demorou muito para que começassem a surgir alternativas para o problema. A primeira delas era simples: utilizar uma rede privada virtual, ou VPN.

Enquanto a equipe de engenharia do Discord desenvolvia maneiras de impedir as transmissões de vídeo para usuários brasileiros, os usuários mais entusiastas da plataforma investigaram o funcionamento da restrição. Descobriram que ela se baseava em uma verificação de localização realizada por meio do endereço IP utilizado ao abrir o aplicativo.

Imagem do tweet da ProtonVPN ironizando a situação

Imagem do tweet da ProtonVPN ironizando a situação

Bastava um pouco de conhecimento técnico para contornar aquela situação um tanto quanto incômoda. No entanto, conforme os dias passaram, os problemas tornaram-se mais frequentes: falhas ao conectar à VPN, transmissões que não funcionavam para todos os membros e, principalmente, a inconveniência de precisar se reconectar toda vez que alguém quisesse transmitir.

Entra em cena a ideia do blog...


Foi mais ou menos nessa mesma época que o Blog dos Afogados começou a tomar forma. A ideia não nasceu exatamente por causa do bloqueio do Discord. A princípio, o blog seria apenas um pequeno recanto onde colocaríamos nossas ideias e opiniões para os demais membros da comunidade.

Mas, conforme o projeto foi crescendo, novas possibilidades começaram a surgir. Como já estávamos procurando uma alternativa para as transmissões, decidimos juntar o útil ao agradável: aproveitar o espaço que estávamos construindo e transformá-lo também em uma plataforma de transmissões ao vivo, com latência de subsegundo (ou seja, com menos de um segundo de atraso).

Como nerdamos atacamos a situação...

É claro que essa solução não nasceu do dia para a noite. Foram necessárias muitas horas de desenvolvimento, testes e estudo. A boa notícia é que boa parte dessas horas não precisou ser gasta por mim, porque outras pessoas já haviam feito esse trabalho (como vou explicar mais adiante).

O WHIP, sigla para WebRTC-HTTP Ingestion Protocol, é o protocolo utilizado para enviar (ou “ingerir”) uma transmissão em uma infraestrutura baseada em WebRTC. É ele que permite, por exemplo, que o OBS publique o vídeo na nossa plataforma.

Do outro lado, temos o WHEP, sigla para WebRTC-HTTP Egress Protocol. Se o WHIP cuida da entrada da transmissão, o WHEP cuida da saída: é por meio dele que o navegador se conecta à plataforma e começa a receber o vídeo praticamente em tempo real.

Mas não fizemos tudo isso sozinhos, muito menos começamos do zero. Eu já conhecia e utilizava o Broadcast Box, um projeto de código aberto que implementa os protocolos WHIP e WHEP.

Quando surgiu a ideia de levar as transmissões ao Blog dos Afogados, percebi que ele serviria como uma luva para o que queríamos construir: uma solução baseada em WebRTC, capaz de distribuir vídeo com latência de subsegundo.

A partir daí, nosso trabalho foi integrar essa tecnologia ao Blog dos Afogados. O blog ficou responsável por gerenciar usuários, canais, informações das lives e todo o processo necessário para iniciar uma transmissão. Já o Broadcast Box assumiu o trabalho mais pesado: receber e distribuir o áudio e o vídeo.

Depois que a conexão é estabelecida, a mídia trafega diretamente entre quem está transmitindo, o Broadcast Box e quem está assistindo. Isso significa que o vídeo não precisa passar pelo servidor do blog, evitando que nossa aplicação tenha de suportar todo o tráfego gerado pelas transmissões.

E foi assim que aquele pequeno recanto criado para compartilharmos textos, ideias e opiniões começou a se transformar também em uma plataforma de transmissões ao vivo.

Tá, mas como eu faço as transmissões?


Fico muito feliz por você ter perguntado. É muito simples: antes de tudo, você precisa ser um afogado para ter permissão para transmitir. Se você é um afogado, já sabe que é um afogado.

Transmitindo pelo navegador

A maneira mais simples de transmitir é utilizando o próprio navegador. Basta acessar a página do estúdio de transmissão, na qual você encontrará a opção correspondente.

Aba de transmissão pelo navegador no Estúdio de Transmissão

Aba de transmissão pelo navegador no Estúdio de Transmissão

Selecione a resolução de sua preferência (o padrão é 720p60) e clique em Começar. Em seguida, o navegador abrirá a caixa de seleção para que você escolha a tela ou janela que deseja compartilhar.

Caixa de seleção do Firefox

Caixa de seleção do Firefox

Depois disso, a transmissão será iniciada e os usuários já poderão desfrutar de sua linda transmissão!

Área de transmissão durante um evento ao vivo

Área de transmissão durante um evento ao vivo

Sinta-se à vontade para compartilhar sua linda transmissão com todos!

Transmitindo pelo OBS

Alguns usuários (eu incluso) sentem a necessidade de fazer transmissões mais tunadas: faixas de áudio separadas, webcam sobreposta à captura da tela, key overlays e muito mais. Para isso, usamos o OBS Studio, uma ferramenta robusta para transmissões ao vivo.

Para utilizar os Streams dos Afogados no OBS, precisamos de duas informações:

  • a URL do servidor WHIP;
  • a chave de publicação, exibida pelo OBS no campo Bearer Token.

Por sorte, nosso estúdio facilita o acesso a essas informações. Basta abrir o estúdio de transmissão e acessar a aba OBS.

Aba OBS do Estúdio de Transmissão

Aba OBS do Estúdio de Transmissão

Depois, basta copiar as credenciais e colá-las no OBS Studio, preenchendo os campos correspondentes na aba Transmissão.

Aba Transmissão no OBS

Aba Transmissão no OBS

Com tudo configurado, é só iniciar a transmissão pelo OBS e desfrutar de uma experiência leve, com alta qualidade e latência inferior a um segundo.

Estúdio de transmissão enquanto uma transmissão pelo OBS está ativa

Estúdio de transmissão enquanto uma transmissão pelo OBS está ativa

E é isso. Desfrutem das transmissões!

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4 comentários

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Victru
Victru há 3 semanas

muito foda

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Helya
Helya há 1 mês

vdd

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zubs
zubs há 1 mês

Ótima postagem, Maot!

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Roberto
Roberto há 1 mês

Muito legal o conteúdo maot, e parabéns pela iniciative de ter outra plataforma de transmissão! Espero que superem a tirania da janja.

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